terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Formação continuada

O trabalho do professor hoje é diferente (mais difícil) do que no passado, hoje ele precisa saber lidar com os saberes pedagógicos, tecnológicos e com a complexidade social. Paulo Freire alertava para a necessidade de ampliar a visão de mundo. Conhecer o mundo, suas necessidades e transitoriedade são importantes para colaborar na formação de cidadãos atuantes, realizados, capazes de interferir na transformação da sociedade em que vivem.
O professor carece de formação continuada que o prepare para o uso das tecnologias, há uma grande dificuldade em unir o pedagógico ao tecnológico, ou seja, como ensinar o conteúdo curricular usando as tecnologias. Para tanto o professor precisa saber o que cada uma dessas pode fazer para então usá-las de maneira equilibrada, sem priorizar um ou outro conhecimento.
A formação em serviço pode ser eficiente, pois, o professor tem a oportunidade de unir teoria e prática, a melhor maneira de aprender é fazendo. Porém o modo como são lotados os professores no estado de Rondônia (30 ou 32 horas em sala de aula) sobra muito pouco tempo para ser dividido entre formação, preparação de aulas, correção de provas, diários e participação ativa nos projetos da escola. Penso que os professores inscritos nos cursos de formação continuada do PROINFO (que são ótimos) deveriam ter mais tempo para se dedicarem a formação e a realização dos projetos propostos por essas.
Quanto a minha formação aprendi muito desde que fui lotada no LIE, não apenas no tecnológico, cresci pessoalmente e profissionalmente. Ainda assim percebo a necessidade de aprender sempre. A internet é um oceano desconhecido onde todos os dias surgem novas espécies a espera de exploradores. As mudanças tecnológicas são muito rápidas exigindo uma formação contínua.

domingo, 20 de dezembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Preconceito um ato de ignorância

O preconceito é um ato de ignorância que só será vencido com o conhecimento. Pertencemos a uma única raça, a humana, cada povo que migrou para o Brasil contribuiu para a formação da cultura brasileira. Para que a diversidade enriqueça a comunidade tornando-a múltipla, faz-se necessário conhecer os valores culturais, a importância de cada cultura, bem como a herança deixada por elas no contexto social. O patrimônio cultural não deve ser visto apenas como folclore, deve ser respeitado e transmitido para as próximas gerações como parte das raízes do povo brasileiro. Hábitos, costumes, mitos, crenças e valores que não são ensinados, correm o risco de se perderem. Logo o povo que não preserva suas raízes perde parte de sua identidade.
Convivem no Brasil pessoas de mais de um continente, conhecer as contribuições culturais e suas origens fortalecem os laços e ajudam a preservar valores que fazem parte da cultura desse povo. Pois a cultura brasileira só é rica e variada porque recebeu inúmeras influências, o Brasil tem a "cara" que tem, devido sua história. Respeitar as diferenças é fundamental para evitar preconceitos e discriminações.
A história embutiu subjetivamente a ideologia de que a “raça” branca foi, ou é superior, mensagem presente nas entrelinhas dos livros didáticos, ainda hoje existem professores acreditam haver cultura superior e que há alunos que são incapazes de prosseguir nos estudos, por incapacidade intelectual. A lei de Diretrizes e Bases da Educação prega a igualdade de condições para o acesso e permanência à escola, essa é uma maneira de responder à sociedade que cobra investimentos sociais, deixando claro que, perante a lei todos tem os mesmos direitos sejam esses pobres e, ou negros. Porém na realidade as condições de permanências são diferentes, uns trabalham durante o dia e são forçados pelas circunstancia a estudar à noite. Os jovens pobres e negros continuam lutando por melhores condições de vida de trabalho, por igualdade, assim como seus irmãos nas senzalas que lutaram pelo direito de serem livres.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Consciência Negra

Castro Alves
Tragédia no Lar

Na Senzala, úmida, estreita,
Brilha a chama da candeia,
No sapé se esgueira o vento.
E a luz da fogueira ateia.

Junto ao fogo, uma africana,
Sentada, o filho embalando,
Vai lentamente cantando
Uma tirana indolente,
Repassada de aflição.
E o menino ri contente...
Mas treme e grita gelado,
Se nas palhas do telhado
Ruge o vento do sertão.

Se o canto pára um momento,
Chora a criança imprudente ...
Mas continua a cantiga ...
E ri sem ver o tormento
Daquele amargo cantar.
Ai! triste, que enxugas rindo
Os prantos que vão caindo
Do fundo, materno olhar,
E nas mãozinhas brilhantes
Agitas como diamantes
Os prantos do seu pensar ...

E voz como um soluço lacerante Continua a cantar:

"Eu sou como a garça triste
"Que mora à beira do rio,
"As orvalhadas da noite
"Me fazem tremer de frio.

"Me fazem tremer de frio
"Como os juncos da lagoa;
"Feliz da araponga errante
"Que é livre, que livre voa.

"Que é livre, que livre voa
"Para as bandas do seu ninho,
"E nas braúnas à tarde
"Canta longe do caminho.

"Canta longe do caminho.
"Por onde o vaqueiro trilha,
"Se quer descansar as asas
"Tem a palmeira, a baunilha.

"Tem a palmeira, a baunilha,
"Tem o brejo, a lavadeira,
"Tem as campinas, as flores,
"Tem a relva, a trepadeira,

"Tem a relva, a trepadeira,
"Todas têm os seus amores,
"Eu não tenho mãe nem filhos,
"Nem irmão, nem lar, nem flores".